quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Um ‘debate-boca’ mas que agrada a muitos


MARCOS DANTAS - Na última terça (16) ocorreu pela TV Band o primeiro debate do segundo turno entre os candidatos a presidente Dilma(PT) e o senador Aécio(PSDB), contudo, longe de ser uma discussão de propostas, o que se viu e ouviu foi um ‘bate-boca’ daqueles de botecos. Acredita-se que, não por incompetência ou por falta de conteúdo dos candidatos, afinal os dois têm formação superior em Ciências Econômicas. Ela além de ter exercido cargos técnicos no governo anterior, atualmente é mandatária da nação. Ele exerceu cargos técnicos no governo de Minas, e atualmente é senador da República.

O formato do debate promovido pela referida emissora considerei um dos melhores e seria brilhante se os candidatos tivessem aproveitado a oportunidade para elevar o nível do debate e oferecer ao público algo consistente, apresentação e discussão de projetos e não apenas a retórica do passado e promessas genéricas inclusive para serviços básicos à população. Parecia não ser um debate entre duas pessoas que disputam o mais importante cargo do País, e sim meros candidatos a ‘subprefeitos’ de alguma vila distante em qualquer lugar.

Mas a informação que se tem é que a audiência durante o debate aumentou consideravelmente e com repercussão nas redes sociais. A confirmação de que o ‘debate-boca’ não influenciou em nada em termos de intenção de votos foi a pesquisa eleitoral um dia depois apresentando empate técnico entre os dois. Mas o quê justifica a audiência estrondosa do debate? Talvez o estilo ‘telequete’, o bateu-levou, a avidez por mais denúncias, xingamentos, ou seja, o ‘barraco’ nos moldes Programa do Ratinho ‘vamos quebrar tudo’. Quem sabe seja isso mesmo que a população espera ver nos políticos sem se importar que estes estejam na vila ou em Brasília.

O tele-circo (pejorativo) foi uma vergonha para nós os tupiniquins que, ficamos expostos diante da opinião pública externa pois dois canais de televisão estrangeiros transmitiram as sessões de ‘mordidas de orelhas’ bem orquestradas pelas assessorias dos candidatos e bem contracenadas por Dilma e Aécio. Oxalá que os telespectadores estrangeiros não reputem a todo povo brasileiro o comportamento idêntico dos nossos representantes no Planalto e no Senado.

Os poucos minutos dedicados a assuntos do interesse coletivo foram suplantados por descrição de feitos no passado, e pelo confronto político-partidário acentuado por acusações e ataques, além das defesas evasivas. Aliás, os dois partidos (PSDB e PT) no plano geral estão idênticos, foram e são protagonistas de erros e acertos, quem dera que os erros fossem menores. Chega ser engraçado ver e ouvir os candidatos atribuindo atos de corrupção ao partido do outro. Em resumo, estamos com uma candidata e um candidato, a observar suas intempéries nesta campanha, só servem para presidir uma republiqueta de bananas (que as bananas me desculpem).

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Os 37 milhões de ‘rejeitores’ do processo eleitoral


A voz das ruas...

MARCOS DANTAS - Estive pensativo durante todo o primeiro turno das eleições, talvez esperando o segundo, quando se teria um quadro mais claro do processo de ratificação para o atual governo, ou a substituição da cúpula governamental. O 'hilário/otário' eleitoral não serviu e nem serve de parâmetro para se extrair alguma boa ideia ou inspiração até mesmo para votar. O ‘carrossel eleitoral’ liderado pela Dilma (PT), agora seguida de perto por Aécio (PSDB), continua não atraindo a minha atenção, acredito que de pelo menos mais 37 milhões de outros brasileiros e brasileiras.

Vamos para mais uma importante eleição, sem um BUM político, os mais sarcásticos dizem que o que temos é um PUM eleitoreiro contumaz e não uma disputa entre direita e esquerda, capaz de empolgar além dos militantes (maioria paga) que empunham as bandeiras 13 e 45. E a desgastada polarização de 16 anos com o velho discurso enferrujado embalado pelo programa ‘obrigatório’ eleitoral que de gratuito não tem nada.

Somados abstenção, nulos e brancos temos um recorde em relação a 2010, 29,03%. Significa que mais de 27 milhões de eleitores não compareceram às urnas, mais de 4 milhões votaram em branco, e mais de 6 milhões anularam o voto. Aproximadamente 38 milhões de eleitores, insatisfeitos com o atual sistema eleitoral, não é uma insatisfação com Dilma (PT), Aécio (PSDB) ou mesmo a Marina (PSB) que sucumbiu no primeiro turno. Na verdade o resultado para presidente poderia assim ser divulgado: Dilma 41,59%, Aécio 33,55%, (Insatisfeitos 29,03%) e Marina (PSB) 21,32%.

A leitura destes 29,03%, que virtualmente ficaram em terceiro lugar é que de fato deve interessar a todos, ultrapassou o fenômeno Marina que esteve a frente de Aécio e que por alguns dias passou a ideia de que disputaria com Dilma o segundo turno. Sem desprezar o forte indício de que a obrigatoriedade do voto tenha suscitado um novo sentimento no eleitor, já que a primeira lição democrática é enfática: O VOTO É OBRIGATÓRIO. Revoguem-se as disposições em contrario, pode ser que os protestos entre maio e junho passados que levaram milhões às ruas instigados inicialmente pelo aumento das tarifas no transporte público (20 centavos), incorporando o grito contra todas as mazelas da maioria dos agentes políticos, agentes policiais, agentes da justiça, etc. nas três esferas da federação, despertaram silenciosamente neste pleito.

Outro aspecto a ser observado o processo desgastante tanto para a presidente-candidata, quanto para eleitores e a máquina administrativa que ainda serve de palanque e dar uma considerável vantagem a quem detem o poder. A reeleição implementada por Fernando Henrique Cardozo custou caro aos brasileiros, o congresso (minúsculo mesmo) se aproveitou da situação e as bancadas leiloaram os votos pela aprovação da emenda constitucional, e dela desfrutaram o próprio FHC, o Lula, e Dilma que a pleiteia. Dia desses ouvi um analista dizer que “infelizmente no Brasil a reeleição não deu certo”.

Além do governo de compadrio a que é submetido a administração pública, resultando em atos viciosos de corrupção, estabeleceu ainda mais a ‘relação comercial’ entre executivos e legislativos e a barganha política virou moeda forte para os que querem se perpetuar, no poder, uma espécie de ‘monarquia-republicada’ para ungir aqueles fiéis à cartilha do mandatário. Fica a dica para Dilma e Aécio, comecem o programa eleitoral do segundo turno se comprometendo com o povo brasileiro que, se eleito(a), proporão o FIM DA REELEIÇÃO no Congresso, mas chamem os 29,03% de insatisfeitos para irem à Brasília vigiar para que não haja ‘cobrança’ para se desfazer algo que nunca deveria ter existido. E se quiser ser mesmo campeão de voto basta prometer que, se eleito(a) colocará fim no horário de verão!

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Começou a Copa do Mundo da FIFA sem gingado


MARCOS DANTAS - Até que tentei mas não consegui gostar de futebol. Assim sendo sou meio que suspeito em dar ‘pitaco’ em assuntos afins. Contudo, ‘da mó do outro’, em copa do mundo todos viram comentaristas, árbitros, técnicos, atacantes, goleiros, e até gandulas. Aproveitando dessa premissa me atrevo analisar o clima da maior festa do futebol destacando a falta de gingado (característica do que tem ginga, que tem molejo...), claro, impedido pelo padrão Fifa - Federação Internacional de Futebol; imposto ao governo brasileiro em visível interferência externa.

Há sete anos, por sua vez a cúpula do Planalto (o então presidente Lula e assessores) não consultou a população se esta era favorável ou não a copa ser realizada aqui. Talvez pela tradição(?) de o Brasil ser o país do futebol, se sentiu a vontade para tomar a decisão pelos passivos brasileiros ‘futebolmaníacos que param o Brasil’ por ocasião de copa do mundo (da Fifa). 

Chegada a hora da ‘onça beber água’, a maioria dos estádios palco das disputas não está cem por cento com suas obras concluídas... além do superfaturamento das reformas e construções desses, em detrimento a falta de maior investimento em serviços básicos como saúde e educação, estradas, transportes públicos e segurança, o responsável pelo estouro de protestos inclusive contra a copa em todo o país, começando pela rejeição do reajuste de 0,20 centavos nas conduções coletivas das principais cidades em todos os estados.

Mas e a paixão dos brasileiros pelo futebol? Alguém poderá responder que é coisa do passado, paixão das copas 1958, 1962, 1970... (depois 1994/2002), Brasil Campeão! Auge do governo ditatorial - "noventa milhões em ação / Pra frente Brasil / Do meu coração/ Todos juntos vamos /Pra frente Brasil / Salve a seleção" – era a nação ‘contra’ o mundo... enquanto nos quartéis e no Planalto as mazelas e atrocidades eram articuladas com a indiferença da população que vibrava nas ruas. Para os ‘heróis’ chegando do México, honras militares e aplausos do povo doravante ‘esfaqueado pelas costas’.

A presidente para alguns, presidenta para outros, Dilma Rousseff afirma que esta será a copa das copas... tomara que seja mesmo, pois até agora o quê se vê é uma copa atípica, pouco entusiasmo popular como se via em anos anteriores, apenas aqui e acolá alguns tímidos enfeites de ruas, talvez podendo aumentar com o início dos jogos e possíveis vitórias da seleção canarinho. Governos Federal, estaduais e municipais devem preocupar de fato com a segurança especialmente de crianças e adolescentes que podem ser presas fáceis do assédio para a prostituição e drogas, pois o legado social para o Brasil poderá ser negativo.

O comércio e o setor de turismo, que podem faturar com a ‘invasão’ de turistas nas cidades sedes dos jogos, e que esperam o retorno almejado, sentem a falta de articulação encetada pelo ministério e secretarias estaduais e municipais de turismo para programação que envolvesse turistas e populações locais. As copas até 1970, esta realizada no México certamente não colocou referidos países tanto em evidência nos quatro cantos do planeta quanto esta no Brasil, cinqüenta e seis anos depois do primeiro título, realmente é a ‘copa das copas’ em termos midiáticos, e o Brasil é mostrado e comentado em todos os quadrantes, certamente o superfaturamento das arenas poderá ser compensado com o retorno do turismo pós-copa, embora isto não isente os (i)responsáveis da culpa pelos desmandos.

Quanto a atipicidade do povo em relação ao Mundial de Futebol deve-se, afirma alguns, ao engessamento da Copa explorada pela entidade/empresa que profissionalizou de tal forma a ‘pelada do mundo’ que agora é da Fifa, que o gingado típico não é mais visto nem mesmo pela torcida que ‘perdeu’ até o pagode já que os mandatários da entidade registraram a patente (domínio) do nome mais popular da roda de samba entre a maioria dos brasileiros. Outra explicação pode ser a de que a maioria dos brasileiros entende que jogadores e dirigentes não vestem a camisa para defenderem o Brasil e sim seus ricos salários (como sempre) e a fama advinda dos lances e atitudes às vezes controversas, que os leva às primeiras páginas dos jornais, revistas e manchetes dos telejornais.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Que tipo de informação quero receber?



MARCOS DANTAS - Ao dedicar alguns instantes à leitura do Livro Eclesiastes, percebi que realmente compensa viajar em cada capítulo, mas o versículo 9, do capítulo 1º, para o que desejo expressar, chama atenção pela afirmação que transcende os tempos, pois o Eclesiastes fora escrito 935 aC, pelo Rei Salomão (sic) “O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol”.

Após meditar sobre tal afirmação de quase 3.000 anos, proferida por um dos homens biblicamente considerado um dos mais sábios e que ainda assim fez consideração quanto armazenar o saber - Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza (Eclesiastes 1:18); isto me fez pensar sobre o quê eu quero saber de verdade. Que notícia quero ler, ouvir, que informação guardar?

E por falar em sabedoria também se encontra nas Escrituras Sagradas - A sabedoria é a coisa principal; adquire pois a sabedoria, emprega tudo o que possuis na aquisição de entendimento (Provérbios 4:7). Parece contraditório... pois este outro Livro também fora escrito pelo mesmo rei Salomão. Posso imaginar que, em primeiro plano, o sábio Rei estaria se referindo ao noticioso, o trivial, os acontecimentos naturais, os percalços dentre um povo, a rotina de violência; etc. e em segundo plano, a Sabedoria e espírito elevado, que ilumina ao ser compartilhada.

Ao se abrir a maioria dos jornais, sintonizar canais de TV, estações de rádios, inclusive nas versões on-line, nos deparamos com ‘informações’ do tipo:
- Linchamento de culpados e inocentes
- Invasão de vírus nos computadores e antivírus não conseguem mais evitar
- Cresce a corrupção e os escândalos em todos os lugares (chegou o tempo de se ter vergonha de ser honesto)
- Drogas lícitas abrem caminho para as ilícitas
- Acidentes, balas perdidas e crimes bárbaros matam mais que guerra civil
- Prostituição, estupro, pedofilia, homofobia e racismo: mal de todos os séculos
- Agressão ao meio ambiente é comparada a depressão, traição e infidelidade
- Viciados em tecnologia engrossam estatísticas em enfermidades
- Seca assola no sul e chuvas torrenciais destroem no norte...

Sensacionalismo, sobre sensacionalismo que geram expectativas e mais expectativas em torno do que ainda pode acontecer, do que virá amanhã! Pensa-se que nada mais poderá acontecer pois isto já é o limite e, quando passam os dias logo todos são novamente surpreendidos com o bombardeio de novas(?) notícias, iguais ou piores que as anteriores. O semblante e a tonalidade de voz e dos âncoras nos telejornais são tão assustadora quanto a guerra nuclear, tsunamis, terremotos e maremotos, aquecimento global, alguém exclama, é o apocalipse!

Estudos afirmam que a partir dos 40 anos a capacidade de armazenar informações começa a sofrer um processo lento e gradativo de deterioração, ou se, no mundo moderno, a quantidade absurda de informações com que somos bombardeados dificulte sua assimilação. Segundo o médico paulista o geriatra Alberto Macedo Soares, essa é uma dúvida a ser esclarecida - Não se pode negar que, hoje, além do acúmulo enorme de informações, o grau de preocupação é tanto que o trabalho não se encerra com o término do expediente. Muitas vezes, a pessoa de 40, 50 anos entra em casa, liga o computador e continua em atividade, comprometendo as horas que deveriam ser reservadas para descansar e dormir. Essas situações são responsáveis por aumento da carga de estresse e pelo déficit de atenção, que podem provocar prejuízo da memória, principalmente da memória recente.

Com esta overdose diária de informações(?) não resta tempo para se detectar manipulação de imagens, de conteúdos, de pesquisas, de dados, etc., e as autoridades científicas e políticas estão confusas e não sabem se de fato o planeta encontra-se na fase de aquecimento ou resfriamento global, enquanto a economia mundial cambaleia e os sistemas políticos estão por um fio. Mas agora o que interessa é a Copa FIFA do Mundo, em seguida a enfadonha campanha política, e em 2016 as Olimpíadas. É tempo de demasiado direito e poucos deveres, é tempo de programações fúteis nos meios de comunicação e correntes sem nexos, além de extrema amizade, amores e abraços pelas redes sociais.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Marcha da Família com Deus pela Liberdade: Guilhotina ou ditadura militar?


MARCOS DANTAS - Isto comprova a FALTA de uma liderança FORTE nos âmbitos municipal, estadual e nacional, e leva 'saudosistas' e aqueles que não conhecem de fato uma ditadura militar, ou desnorteados pela ausência de liderança confiável, ou mesmo por falta das benesses que a ditadura lhes concedia, pedem o que não deviam pedir.

Depois da redemocratização na década de 1980 para cá, ainda não tivemos um governo que durante a gestão ou após esta, não haja indícios, flagrantes, ou denúncias de corrupção. A maioria dos integrantes da classe política nos municípios, estados e federação, está comprometida com a corrupção ativa ou passiva.

Alguns dizem que os executivos e legislativos 'são a cara do povo'. Infelizmente a maioria do povo vota mesmo em desonestos, sabendo que o são, em troca de vantagens das mais variadas possíveis, e razões que a própria razão desconhece. Contudo há os que são em verdade seletivos e querem uma mudança efetiva na forma de se praticar a política como arma administrativa para o bem comum.

Nem tudo, ou nem todos, é lama, ou são fétidos na ‘pirâmide’ política que ‘manda e desmanda’ em favor ou contra a maioria que os consagrou representantes destes. É com essa minoria de políticos ainda confiáveis que o povo brasileiro pode contar para que haja uma justa administração que faça jus à Democracia e que seja de fato um governo do povo para o povo.

Ano passado o Sr. Geraldo Alckmin (governador de São Paulo) criticando a impunidade disse “o povo não sabe de um décimo do que se passa contra ele próprio - Se não, ia faltar guilhotina para a bastilha, para cortar a cabeça de tanta gente que explora esse sofrido povo brasileiro”...

Certamente que Alckmin devia estar se referindo à Revolução Francesa entre 1789 a 1793 surgida pela patente desigualdade social que imperava naquele país que vivia em um enorme abismo sócio-econômico que separava a nobreza do restante do povo. Havia injustiça até mesmo na hora da execução de um condenado, de acordo a sua origem social. Enquanto os nobres podiam ser apenados à espada (etc), e a classe popular era esquartejada, ou queimada viva. Da nobreza, as famosas ‘vítimas’ da guilhotina foi o próprio rei Luis XVI e Georges Danton, um dos líderes populares da revolução.

Em se tratando do Brasil, em que vale ressaltar, o abismo que existe entre a classe política dominante, e o povo, no que diz respeito aos privilégios, é de se comparar à realidade vivida pelos franceses no Século XVII. Mas daí, em retroceder e clamar pela volta do regime militar, ou, radicalizar com a implantação da guilhotina, lembrada e, supostamente sugerida pelo Sr. Alckmin, seria no mínimo irracional, pra não dizer desastroso. Embora, se se consultar a população dando as opções entre a ditadura militar e a guilhotina, é quase certo que a invenção do médico político Joseph Ignace Guillotin seria a vencedora.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Falar com o dono não adianta, o sistema é quem decide


MARCOS DANTAS - Na vila chamada Banco Central, lugarejo onde nasci, encravado entre duas serras, lá no Sul da Bahia, município de Ilhéus, entre tantas figuras pitorescas, conheci com meus olhos de criança o seu Valentim; (será que a brabeza dele tinha a ver com o nome?) fato é que o sujeito era um baiano bruto, rústico e muito, mas muito sistemático.

Para se ter idéia, seu Valentim, que raramente comprava uma camisa nova, quando isto acontecia, ainda na loja ele arrancava logo os botões, seu sistema era usar a dita-cuja aberta. Certa feita, ele entrou com esta desabotoada no ônibus e o motorista lhe chamou atenção, ao que ele rispidamente respondeu “eu deço mas não abutuio”.

Historicamente o pioneiro sistema a ser implementado por aqui foi o sócio-político-econômico escravocrata. Relação esta entre senhor e escravo que serviu de alicerce que estruturou o voraz estado brasileiro. E nessa moldura vivemos escravos do sistema que não é o do seu Valentim que a única vez que pisou em um banco queria falar com o dono do mesmo. “Se não posso falar com o dono intão não vou botar meu dinheiro aqui”.

Os tempos modernos além de franquear a tecnologia também escraviza com seu implacável e feroz sistema. Você já é o ‘ultimo do derradeiro’ na fila e quando chega a sua vez, ouve: o sistema caiu, o sistema está lento, o sistema o sistema não libera, o sistema acusa que o senhor(a) deve a deus e ao mundo, o sistema está fora do ar, o sistema só libera até esse limite, aqui pelo sistema o senhor(a) não é o senhor(a)... 

Naquele tempo o freguês ia na ‘venda’ comprar alguma coisa e se o nome tivesse ‘sujo’ no livro, então era informado pelo dono (sistema) da venda que havia atraso de pagamento e que por isso não seria possível atende-lo naquele momento... a situação poderia ser logo revertida caso o devedor apresentasse uma boa justificativa acompanhada da promessa de pagamento o quanto antes.

Depois do sistema dominar todos e tudo o cidadão(ã) que paga caro por tudo, inclusive leva uma pesadíssima e insuportável carga tributária é obrigado(a) abaixar a cabeça, ainda que revoltado, mas como bom escravo(a) nada dizer, nada reclamar nem com ‘o bispo’, como se dizia...

O sistema é o cruel senhor do engenho, o capitão da senzala. Com uma mão lhe oferece benesses quando quer, e com a outra lhe chicoteia até a alma, sem compaixão, não há direitos humanos que incrimine, policie os atos do sistema contra cada ser humano, em especial os menos favorecidos, desprovidos de meios para se defender ou driblar os golpes certeiros do algoz.

Quarenta anos depois entendo o que se poderia chamar hoje de contra-sistema do seu Valentim, como a vislumbrar um futuro ainda mais sistematizado, se defendia da forma que melhor lhe convinha. Contra o sistema só bilhões de valentins, brutos, rústicos e sistemáticos.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Quando crescer, quero ser velho...



- Menino vai estudar pra ser alguém na vida!
- Sabe de uma coisa, quando eu crescer eu quero mesmo é ser velho, igual o vovô...

MARCOS DANTAS - O mundo não era tão moderno quando já se ouvia a celebre declaração dos mais velhos exortando os de tenra idade executar seus conselhos para assim se tornarem ‘alguém na vida’.

Alguém na vida já o é desde a concepção que, ao passar dos dias os genitores já podem se comunicar com o pré-rebento que responde com os famosos ‘chutes’ na barriga.

Certo é que poucos pensam que independente de ser ou não ‘alguém na vida’, ficar velho é uma lei natural de todo ser. Com a modernidade chegou também para alguns uma melhor qualidade de vida, o que proporciona o alongamento de dias e os velhos passaram ser considerados idosos.

Mas para aquele menino, o velho avô era velho mesmo, sua barba e cabelos brancos diziam que ele era velho, sábio, muita experiência, isto era demonstrado nas palavras, nos gestos, nas brincadeiras, no olhar e nas respostas sobre cada coisa que o menino queria saber.

O velho sabe que não precisa ir à farmácia comprar o remédio, seu pai, seu avô lhe ensinara que bem ali na mata, no pasto, no quintal da casa tem aquela folha, ou raiz para fazer o chá. O velho aprendeu que uma boa amizade não faz ou se mantém via Web, facebook, SMS, smartphone, câmeras digitas (as fotos de lambe-lambe formavam os álbuns), notebook, laptops, tablets, iPhone, iPad, os velhos orkut/MSN... a amizade não precisava de upload, download nem de links, era o bate-papo ali no pé do ouvido com o compadre.

TI (tecnologia da informação) nem pensar! Bastava um pulinho na esquina e já se sabia de tudo da vila, nada de globalização, política econômica, política interna e externa, câmbio, trânsito, bolsa que sobe que desce, o mundo não interessava, já se tinha assunto demais para ser falado. Ficção só mesmo nas conversas em noites de lua cheia, todos sentados à porta da casa, as crianças brincando no terreiro, enquanto os velhos falavam de lobisomem, mula-sem-cabeça, caipora, e tantas outras figuras do repertório imaginário dos velhos idosos.

As frutas e legumes eram cultivados sem agrotóxico e bastava ir à roça que as sacolas voltavam, apinhadas, dos mais variados gêneros que garantiam o cozido de fim de semana que reunia toda família e os amigos mais chegados. Estresse era algo que não se falava e nem se sentia, todos riam de si, das conversas corriqueiras, das lembranças vividas e contadas pelos ‘causos’ floreados até repetidos mas que atraíam a atenção e faziam sucesso bem mais que os programas rebolantes da TV, das telenovelas ‘super-sensualizadas’ e do indecoroso, anti-família, e malfadado Big Brother.

Compartilhar os bons momentos, estar juntos na alegria, na doença e na tristeza, curtir a paisagem bucólica do campo e o olhar meio que insinuante da moça na janela era o que se arquivava nas memórias que o tempo não deleta, e tudo era atualizado quando se navegava entre nuvens formatadas virtualmente pelos sonhos.

- E as músicas do seu tempo vovô?
- Ah, as músicas eram verdadeiras poesias, falavam das flores, do beijo na mão, da casinha de sapê, do vestido azul, do azul piscina, do barquinho e do mar, do rio e das florestas, da injustiça, da pobreza, cantava contra a guerra, falava do amor. Composta e cantada por encanto da mulher (não era chamada de frutas), nunca as chamava de cachorras, preparadas, novinhas e não se ouvia palavrão...
- Palavrão como Otorrinolaringologista?
- Não, palavras que quando os meninos falavam, suas bocas eram lavadas com sabão.
- Então vovô, quando eu crescer, eu quero ser velho...

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A velha vida no ano novo



MARCOS DANTAS - Ledo engano de quem pensa e acredita que tudo é novo no ano que começa. Mudanças são possíveis quando queremos e fazemos valer novas atitudes e compromissos conosco e com o próximo e em especial a sustentabilidade. Bem diz o escritor Carlos Heitor Cony - Ano novo, vida velha. A vida é mais do que calendários, fusos ou órbita gravitacional.

Mesmo com todos esses milênios de costumes vividos e revividos muita gente a cada fim de ano incorpora o frenesi dos últimos dias, das últimas horas do ano que finda, e protagoniza o corre-corre às lojas, supermercados para as compras, como se não houvesse mais de uma dezena de luas a ser observadas no ano seguinte. E tudo fará sentido se os racionais fizerem como fazem os irracionais, comerem apenas na medida da fome, e protegendo seu habitat.

Novo mesmo só as novas atitudes que podem ser tomadas e assim promoverem as novidades para cada ano novo que se deseja. Aliás, é sempre bom um dia novo, uma semana nova, um mês novo... uma nova pessoa que nasce das cinzas da antiga, sepultada com os velhos problemas do ano velho. As doses que deveriam virar de verdade para dentro de cada um, seria a do planejamento, misturadas às metas para o ano que se inicia com sustentabilidade para você, sua rua, seu bairro, sua cidade, seu estado, seu país inserido neste planeta de água, chamado Terra.

Falando nisto (velhos problemas no novo ano) estes trespassam os limites da zero hora para a virada e acompanham os mortais a partir do primeiro segundo do ano novo que, após ser recebido com fogos, gritos, danças, rezas, champanhe, beijos, abraços...; e depois da ‘ressaca’ surgem como fantasmas assombrando muita gente com o aluguel vencendo, as contas de luz e água que a ‘virada’ não conseguiu parar os tais relógios...

Tem mais! O cartão de crédito, lembra-se dos presentes? E a prestação do carro? O seguro, os móveis novos a serem pagos nos 12 meses... Mas o ano velho se foi, agora é tudo novo! Só na imaginação e no calendário é que de verdade o ano é novo. A velha conhecida rotina faz que os pés sejam tirados das nuvens e impactem o solo da mãe terra que tem uma ‘virada’ na sua rotação de 360º a cada 23 horas 56 minutos 4 segundos e 9 centésimos. Enquanto que os terráqueos ao ‘longo’ dos seus poucos anos de vida espera 365 dias para a tão aguardada e merecida virada com sabor de virar a mesa do jogo da vida que, como um espelho, insiste em mostrar-te como você realmente é, com todos os problemas do ano velho e mais os novos do novo ano. Contudo, viva 2014 como se fosse o último ano de sua vida.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Minha vida mudará em saber da vida alheia, mesmo pagando por isso?



MARCOS DANTAS - Que existe mídia especializada que vive buscando ‘polêmicas’ para atrair àqueles que gostam de ouvir e discutir futilidades, isto é notório, o assunto ‘biografias não autorizadas’ é um deles, ocupou e ainda ocupa grande espaço dos noticiários como se isto fosse o de mais importante para o país. Agora será o STF (Supremo Tribunal Federal) que dará o veredicto sobre as ‘não autorizadas’, diante de ação impetrada por editores, enquanto que a ABL (Academia Brasileira de Letra) entrou com outra ação que dará auxilio ao STF. Se não fosse o caráter de cerceamento ao direito de expressão, certamente eu seria um dos que não perderia tempo na formação dessas ‘mal-traçadas linhas’.

Mas o oficio de ‘candinha’ fascina milhares de pessoas em todo o mundo, bisbilhotar, futricar, comentar a vida alheia virou regra para alguns. Lembro-me de quando em tenra idade, bem na praça onde servia de encontro para os namorados (ainda não existiam ficantes) localizava-se a casa de dona Miúda que, pelas frestas das janelas, tomava parte a ‘miúdo’ da vida amorosa dos jovens apaixonados, que sem ser autorizada, ia parar nos ouvidos do professor ‘Kute’ (José Alves da Mata Júnior) que, caprichava na argüição e, quem titubeava em responder, logo vinha a ‘indireta’ observação – se tivesse estudado mais ao invés de ficar com pouca vergonha na praça, saberia responder – quase que a classe inteira (meninas e meninos) se entreolhavam...

A biografia não autorizada, ou seja, a possibilidade de vir à tona, em forma de livro, a vida, inclusive íntima, de ‘famosos’ incomodou bastante nomes como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento, Djavan, Erasmo (defensores das biografias ‘chapa branca’) e Roberto Carlos (este último voltou atrás e abandonou o grupo dos contras). A posição contrária desses e outros famosos, quanto a publicação de suas vidas pregressas, deixou perplexa muita gente que os conhece e admira desde tempos idos, onde estes, eram totalmente contrário a qualquer tipo de censura (leia-se ditadura militar); pegou muito mal para essas figuras da Associação Procure Saber, em momento que a nossa democracia amadurece e eles querem estabelecer uma espécie de pré-censura.

Noves fora o direito dos biógrafos de publicarem tais escritos sem autorização, de ganharem dinheiro em cima da ‘candinhagem’ dos figurões da vida artística, ou de outros setores da sociedade; ainda o direito dos supostos biografados de não terem suas vidas expostas em livro, ou de ‘ganhar algum’ pelo trabalho dos biógrafos; qualquer ensaio de censura é por deveras vergonhoso. Particularmente, não me interesso pela biografia de nenhum desses ou dessas famosidades. E para quem tem alguma dúvida sobre seu interesse ou não pela vida destes, é só perguntar para si: em que mudará minha vida ou a do meu semelhante, por saber da vida alheia, mesmo tendo que pagar por isso?

O ‘famosismo’ mantém seleto grupo de privilegiados que pouco se importa com a vida que levam seus milhares de fãs, seguidores, e da maioria do povo brasileiro, com a fama midiática associada a muito dinheiro. Aquilo que mais é proibido aguça a vontade de se ver, experimentar, conhecer... sobretudo quando já existe a predisposição de se querer saber da vida alheia. Igual no mundo dos negócios, a lei da oferta e da procura dita regras, quanto menos possibilidade de acesso ao desejado, mais caro fica o produto. Então será um ótimo negócio para biógrafos, ‘estrelas’ e editores que terão nos milhões de curiosos a fonte quase inesgotável do prazer em encher as burras com a venda das ditas cujas não autorizadas.

domingo, 29 de setembro de 2013

Faça que nem o Obama, dê uma ‘espiadinha’ neste texto


MARCOS DANTAS - Quando em junho passado vi ruas, praças e avenidas das principais cidades do meu Brasil varonil (país rico é país sem corrupção), lotadas de gente protestando, vendo ainda o clima de violência patrocinado por grupos minoritários, seja de civis ou de policiais, acabei, em seguida, ficando estupefato com o ‘grampo’ generalizado por parte dos EUA em cima de nós brasileiros.

Se por um lado é ruim ser espionado, por outro se tem uma sensação de importância por saber que o Barack Obama se interessa por mim(?!), por você e até pela presidente Dilma e pela nossa Petrobrás, e por tantas outras pessoas e empresas...
Adianto que, nem condeno e nem absolvo o maioral do povo estadunidense, e como disse Jesus, quem não tem pecado que atire a primeira pedra! Vide ‘mensalão, mensalinho, e o fadado julgamento deste, com o tal embargo indecente, digo, infringente, e os ‘donadons’.

Quanto aos protestos juninos, esperei que a reação dos que foram alvos diretos (políticos) das manifestações, fosse a contento. Porém nada se viu, nada mudou, tudo continua como “dantes no quartel de Abrantes”; salvo algumas encenações para desviar a atenção do foco dos ‘protestantes’ que, parece ter servido de cala-boca. O retorno ao valor antigo das passagens foi o ‘mel na chupeta’ para fazer ‘o gigante’, aquele que dormia, voltar ao seu doce e terno sono. Uno-me às vozes juninas das ruas e brado - eles não me representam!

Já a ‘espiadinha’ indiscreta do Obama sobre ‘nossos segredos’ não é de tudo condenável pois não sei quanto a outros povos, mas a maioria de nós basileiríssimos gostamos de futricar a vida alheia, xeretar a intimidade do próximo. Temos até ‘mídia especializada’ no ofício de ‘candinha’ dos famosos, onde horas e horas na TV e no rádio; páginas inteiras de jornais e revistas, são consumidas explorando notícias(?) sobre algum jogador de futebol que saiu com alguma dessas top model de plantão (prostitutas socialites); ou sobre o ‘chifre’ que alguém do meio artístico colocou sobre seu par, além da exploração exacerbada de detalhes sobre crimes, sem a conotação de se educar para a contenção da violência, mas tratando desta de forma sensacionalista, espalhando o terror e o medo como vendendo estes para a população desesperada ‘comprar segurança’, ou ficar refém desses sentimentos, trancafiada em sua própria casa. O quê acrescenta de positivo em você, esse tipo de informação?

Enquanto o povo se diverte com o excesso de programas esportivos, criminal, fofoqueiros, programas de auditórios idiotas, e as famigeradas telenovelas (pão e circo), lá em Brasília e por todos rincões de nosso País, onde há um político (raríssimas exceções) o roubo, a corrupção, o crime contra o dinheiro público, os altos salários (nos poderes da república), os desvios de verbas, o favorecimento a apaniguados, as sentenças vendidas, o superfaturamento, o corporativismo, o desrespeito cruel contra a população grassa em meio ‘aos colarinhos brancos’, que se banqueteiam nos ricos gabinetes e nos luxuosos veículos, quando mais dinheiro do povo que poderia ser melhor aplicado em educação, saúde, saneamento, moradia, e outras necessidades básicas, se esvai no custeio milionário de viagens, na sustentação da ostentação desses senhores(as) feudais em detrimento da miséria em que vive a maioria do povo brasileiro. Onde está o crime de Obama em nos espionar, quando quem deveria, não cuida bem do seu próprio povo?

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Vaias à Dilma são extensivas a quantos políticos mais?



MARCOS DANTAS - Em conta rápida encontramos que a presidente Dilma Rousseff é apenas mais uma somada aos 81 senadores, 513 deputados federais, centenas de deputados estaduais, 5.565 prefeitos, e milhares de vereadores espalhados por todo esse Brasil e que certamente compartilham com a representante maior da Nação, e de todos os políticos (raras exceções), a sonora vaia que recebeu quando da abertura da Copa das Confederações.

Fato é que, a onda de protestos tomou conta do País e o que mais chama a atenção é que as manifestações não são lideradas por nenhum político, não tem bandeira partidária... Sociólogos, e pesquisadores do comportamento humano se esforçam por entender o ‘fenômeno’ mas já atribuem a mobilização à Internet, por meio das redes sociais, utilizadas em outros países como veículo para denunciar e articular protestos semelhantes aos que ocorrem atualmente no Brasil.

Novesfora os atos de vandalismo (patrocinados por quem?) que resultam em depredação de patrimônios público e privado, por parte de grupos que tenta apagar o brilho das manifestações, todos os brasileiros, tão bem representados por esses milhares de patrícios (inclusive pelos que moram no exterior), que durante esses dias vão às ruas demonstrar a insatisfação com a forma como este País está sendo conduzido há anos, não escondem que estão de almas lavadas lotando ruas, avenidas e praças exigindo dos que estão a frente do estado, o mínimo de respeito!

E maio próximo passado, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), em discurso, criticou a impunidade no Brasil dizendo que o "povo não sabe de um décimo do que se passa contra ele...", "se não, ia faltar guilhotina para a Bastilha, para cortar a cabeça de tanta gente que explora esse sofrido povo brasileiro". Se o tucano paulista resolveu dar a entender que sabe desse ‘segredo’ é porque certamente sabe muito mais do que quis dizer. Inclusive foi um dos primeiros a classificar a manifestação do povo de ‘baderna”, de “vandalismo”, e colocou sua força policial contra os manifestantes, que bateu pra valer em quem desafiou o regime autoritário paulista.

Mas quando você pensa que nada mais pode ficar pior nesse Brasil varonil, eis que as majestosas autoridades, em especial lá de Brasília, do alto de suas ‘santas inocências’ declaram que estão por entender do porquê das manifestações... Senhores(as) autoridades, só para ajudá-los a conhecer o Brasil que os senhores não conhecem, então apresento-lhes cinco pontos do quotidiano dos brasileiros:
1 – coloquem seus filhos para estudarem nas escolas públicas.
2 – marquem suas consultas médicas e odontológicas nos postos de saúde.
3 – viagem de ônibus, metrô e trem.
4 – peguem suas famílias e andem a pé a noite pelas ruas das cidades, a exemplo de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, e tantas outras...
5 – sobrevivam com 1 salário mínimo de R$ 678,00...

Nem o futebol, uma ‘paixão nacional’, em tempo de copas (confederações/mundo) está sendo suficiente para conter as multidões em casa. O povo não aceita mais o ‘pão e circo’, despertou do sonho que virou pesadelo quando bilhões de reais são gastos em estádios, com obras superfaturadas, enquanto serviços essenciais são oferecidos à população com baixíssima qualidade. Desta vez a ‘pátria de chuteira’ dá uma goleada de cidadania e grita para os ‘des-governantes’: sou seu patrão, pago e muito bem a vocês para administrarem para mim, e chega de malandragem! Não aceitamos mais esse sistema corrupto de administrar que não respeita quem paga seus altos salários e mantêm suas mordomias!

As vozes das ruas clamam que não suporta mais o fisiologismo partidário, as negociatas de gabinetes, as propinas, a venda de mandatos e legendas que se transformam em maior tempo nos horários políticos eleitorais. Respeito! É o que o povo quer. Onde está a dificuldade de entendimento dos que dizem não entender ainda as manifestações, será que é preciso desenhar mais do que isso? Reforma política e tributária também são bandeiras de reivindicações. Os 20 centavos de aumento nas passagens foram apenas a centelha que acendeu a grande fogueira que começou a queimar esse sistema viciado e o transformará em canal que viabilize de fato o desenvolvimento a e distribuição de renda de forma justa e eficaz a ponto de acabar com a pobreza no País.

sábado, 15 de junho de 2013

Brasil, a democracia do silêncio



MARCOS DANTAS - Inacreditável... mas o povo que vota (ainda que mal) em seus des-governantes, ‘leva pau’ a mando dos próprios. A ordem é: não gostou? Fica calado! Mas as pancadas que o povo leva são justificadas sob o pretexto de se manter a ordem, então; tropa de choque nele!... infelizmente, alguns com interesses desconhecidos se infiltram nas manifestações e praticam o desrespeito, a depredação do patrimônio público (do povo, não dos políticos) ou privado. E assim, o direito constitucional à manifestação é só para ‘inglês ler’.

Em verdade, a maioria dos que é eleita com o voto do povo não gosta das manifestações quando estão no poder. Toleram opositores e as críticas porque não conseguem tapar totalmente a boca dos oprimidos de uma forma ou de outra. Ideal seria se ‘suas majestades’ pudessem se isolar em seus ricos gabinetes com tampões nos ouvidos para não escutarem as vozes das ruas, seria o paraíso...

O mais engraçado para não dizer, trágico, é que a verba que patrocina a ‘blindagem’ de suas excelências, sai dos bolsos empobrecidos da população mega-explorada pela pesadíssima carga tributária sobre ‘cada caixa de fósforo’ que é comprada. Botar a polícia, a tropa de choque, as forças armadas, todo meio de repressão (segundo oferta do ministro da justiça) em cima do povo desarmado é mais fácil que reduzir impostos, cortar o déficit público, o gasto exorbitante para manter as máquinas administrativas (municipais, estaduais e federal) funcionando para atender as demandas partidárias, e a sede de poder de grupos interessados em se perpetuarem no poder, via de regra nos quatro cantos do planeta.

A insatisfação generalizada do povo brasileiro com a classe política dominante é patente em todos os quadrantes desde país. O povo sabe do altíssimo custo que é para sustentar no alto da pirâmide (com salários altíssimos) os ‘soberanos’ do executivo, legislativo e do judiciário; sem o retorno satisfatório para quem necessita de saúde, educação, transporte, segurança, justiça, e outros serviços públicos essenciais com qualidade compatível aos salários que suas excelências recebem, além das benesses (mordomias) constitucionais que os cargos requerem; em detrimento do mísero salário mínimo que a maioria recebe e ‘se vira nos trinta’ para sobreviver e ter que ficar quieto, aplaudindo os ‘intocáveis’ que não querem o povo na rua exigindo seus direitos.

O tragicômico ainda é ter que ouvir as ‘competentes autoridades’ dizerem que três, quatro, cinco mil pessoas nas ruas protestando não representa a população brasileira. Classificam esse número de mínimo, pois igual a votos para o elegerem, eles necessitam de centenas de milhares, milhões para acreditarem no repúdio do povo que cresce a cada manifestação, o que já fez até a ‘grande’ imprensa, parte dela subserviente, reconhecer o imensurável grito das ruas. Seria por que alguns dos seus profissionais sofreram na pele o peso da repressão que dantes já chicoteava o povo? E os senhores (que não governam para a maioria), representam verdadeiramente todos os brasileiros?

Precisamos de imprensa que dê a seguinte manchete: “Brasil, uma democracia do silêncio”, editoriais, artigos, matérias escritas, com o mesmo espaço, análise, pormenores a que dedicaram às ‘primavera árabe’, primavera isto ou aquilo... Será que não estamos no limiar de uma ‘primavera tropical’? Não seria a hora de perguntar, analisar, comentar sobre o medo que os mandatários brasileiros têm do povo nas ruas? Por que será que reprimem com violência, e chamam de vândalos e baderneiros àqueles que o elegeram? É chegada a hora da imprensa se redimir e abrir espaço e defender o povo, com a mesma ênfase que deram a uma dissidente da repressão Cubana, de passagem pelo Brasil.

domingo, 9 de junho de 2013

O dia em que fiquei velho no ‘webtecnoSéculo’ XXI



MARCOS DANTAS - Envelhecer ainda é a única maneira que se descobriu de viver muito tempo - diz Charles Saint-Beuve.
O dia em que se fica velho, você nunca esquece... é como a primeira vez. Por exemplo, nunca esqueço da minha primeira vez no telefone público, quando usava ficha (Local/DDD) foi simplesmente demais! A primeira viagem de ônibus então, uma aventura! O toca-disco portátil, que maravilha. E o primeiro beijo? Reservo-me no direito de não revelar... Mas a minha primeira vez dirigindo o Aero Willes, do meu saudoso irmão José, foi uma coisa do outro mundo. Mas incrível mesmo foi a primeira bicicleta e a primeira vez que vi o mar...

Nos últimos dias do outono, próximo ao inverno, quando as temperaturas são mais amenas, dois senhores (on-line e off-line) bem agasalhados e usando cachecol conversavam sobre o passado, e um deles observou para o outro: - acho que estais ficando velho, não falas de outra coisa a não ser do passado... ao que o outro retrucou: - não pense que sou tão velho pois até já acessei a internet quando era conexão discada (aquela do barulhinho) e ainda tenho uma conta no orkut...

Um conhecido lá do interior contou que o dia que ele percebeu que estava ficando velho foi quando na capital perguntou à uma moça onde ficava determinada rua e esta reverente e respeitosamente informou: - o ‘senhor’ segue por esta avenida e depois daquele prédio verde, vire a direita. Então me lembrei de quando no portão de uma casa de repouso onde fui fazer uma matéria sobre a terceira (melhor) idade, duas jovens a quem pedi licença para entrar disseram: - pode passar ‘tio’...

A confirmação da minha suspeita se deu por ocasião do reencontro com um amigo que há muito não via e ele, que dantes já ostentava barba e cabelos grisalhos, logo ao me ver observou: - cadê sua barba e cabelos pretos? Comentei pensativo: o tempo passa né, amigo? Porém, o retrato da marca do tempo estava escancarado quando revi amigos dos belos tempos da adolescência; como estavam velhos! Rugas, cabelos brancos, barriga dilatada; e as ‘meninas’ então (flacidez, celulite, estria), coitadas... todas velhinhas, não pude conter o riso (para dentro) por instantes.

Em compensação, todos tinham ‘encontrado seus caminhos’ de acordo suas escolhas sendo que a opção mais marcada foi a de constituírem família, garantindo assim este ciclo da vida do qual muitos não conseguem comemorar 50 anos de idade. Sabe o que é isto? Metade de 100 ANOS... gente do Século XX vivendo neste ‘webtecnoSéculo’ XXI com seus banner, iPod, iPhone, blogs, software, cookies, download, attachment, fotolog, upload/update, wireless, banda larga, facebook, 3G e 4G, chat, e-mail, notebook, tablets, etc... esta é também a era dos velhos ‘amigos digitais’ os quais podemos chama-los de on-line (vividos) e off-line (morridos).

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Esfriamento/aquecimento global e a ‘dança da manivela’



MARCOS DANTAS - A mídia alarmentista estupra a cada dia os ouvidos de milhões de pessoas despejando o sêmen do medo, da intranquilidade no útero carente de notícias de indefesos cidadãos do mundo inteiro. Entre tantas e tantas pautas diárias, o aquecimento global ocupou amplo espaço nos noticiários em todos os quadrantes deste planeta que deveria chamar-se Água. A área da climatologia, como em todas as áreas, existe os bons e maus profissionais, portanto os cientistas (raríssima exceção) sabem que ‘todo homem tem seu preço’, que prove ao contrário a maioria dos políticos e dos que adulteram o leite ou seja lá qual for o produto ou bem de consumo(...). Saliento que o toque de ‘deboche’ para falar de algo tão sério, é em protesto à censura imposta para o ENEM/2014 que eliminará a criatividade, a arte do deboche saudável nas redações, sem o resultado cínico dos debochadores do povo, dissimulados na classe política.

Assim a ‘bobotéia’ (platéia de bobos) acreditou esses anos todos em um aquecimento global ‘fabricado em luxuosos escritórios e estúdios cinematográficos’. Mas desde o ano passado que o ‘aquecimento global é desmentido’ mas só agora é que a grande(?) imprensa, noticia o fato. Para se ter ideia, a principal revista dos estadunidenses (New York Times) estampou na capa de uma das suas edições no ano de 1976 que nos próximos anos ocorreria o esfriamento do planeta a tal grau que se retornaria à ‘era do gelo’. “O que se tem visto é que os lugares que sempre foram secos e quentes, ou gelados, continuam da mesma forma ao longo de todos esses anos”. O que dizer do deserto do Saara, e das nevascas em muitos países do hemisfério norte, e na Europa?

Passaram-se três décadas e nada do publicado pela revista, segundo os cientistas da época, aconteceu; então de virada, uma nova ‘propaganda alarmentista’ passou figurar nas manchetes internacionais, o aquecimento global. Igualmente nos anos passados, novos elementos de pesquisas foram ‘elaborados’ para levar a público uma catástrofe sem precedente na história. Pesquisadores independentes, ou seja, àqueles não pertencentes a institutos sustentados por algum governo ou grupo econômico dominante, interessado no superesfriamento ou superaquecimento global, afirmam que esse processo quente-frio no planeta “é próprio dele” e, por isso fica descartada a afirmativa de que a interferência humana influencie no clima global. Dia desses, em um site de determinada ONG, de acordo ao programa, fiz uma projeção de sustentabilidade mediante a modesta vida que levo, e fiquei pasmado ao ver o resultado: eu precisaria de 2,25 planeta terra para continuar vivendo... é uma total paranóia! 

É claro que nem por isso se devem abandonar as questões ambientais, é preciso estimular a consciência da sustentabilidade, pois os projetos em curso (tratamento de esgotos, aterros-sanitários, áreas de preservação permanente, reciclagem do resíduo sólido, controle do agrotóxico e da poluição industrial, etc.) são importantes para defender e preservar o ambiente em que se vive. Deixar a rua, o quarteirão, o bairro, a cidade, melhor do que encontramos para nossos filhos, netos, bisnetos... Ainda segundo esses pesquisadores independentes, a atividade econômica/industrial no planeta desde que, obedecendo ao mínimo das normas e técnicas ambientais para que não cause risco ao homem (fauna/flora), ela é benéfica ao planeta “pois quanto mais carbono na atmosfera, mais o planeta é estimulado ao afloramento de recursos que absorvem o CO2 (dióxido de carbono) e isto se traduz em uma terra cada vez mais produtiva. Diante dos fatos, chegamos a conclusão de que as ‘hecatombes’ do esfriamento e do aquecimento global tem muito e tudo a ver com Hollywood onde ‘rios’ de dólares inundam a indústria cinematográfica.

Fato é que, nesta atmosfera humana não sabemos mais em quem ou em quê acreditar. Não temos mais a segurança de afirmar se isto é mesmo isto, e se aquilo é mesmo aquilo... Enquanto a ONU (Organização das Nações Unidas) investiga a veracidade das denúncias sobre manipulação de dados quanto ao ‘escândalo do clima’ continuemos assistindo, de preferência, sentados, esse blá-blá que, se quisermos podemos aplicar o melô com a ‘dança da manivela’ dizendo que: aqui tá quente, aqui tá frio, muito quente, aqui tá frio, aqui tá quente, aqui tá frio, muito quente, aqui tá frio(...).

SUGIRO AO LEITOR QUE ACESSE ESSES LINKS E TIREM SUA CONCLUSÃO:

domingo, 28 de abril de 2013

Enquanto isso na sala de ‘in-justiça’ da CDH e Minorias...



...EM CAMPANHA POLÍTICA ‘SE FAZ O DIABO’. ASSIM SENDO, QUEM NÃO TIVER PECADO, QUE ATIRE A PRIMEIRA PEDRA...

MARCOS DANTAS - É mesmo que ‘cantiga de grilo’ o que já se ouviu falar do pastor/deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP). Referido deputado que era apenas conhecido por seus eleitores no colégio eleitoral paulista e por membros de uma das vertentes da igreja (Assembléia de Deus) a qual faz parte, depois que foi eleito presidente da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias, ganhou notoriedade ‘gratuita’ em todo Brasil e, fora dele, pela sua postura controvertida frente a uma Comissão ‘espinhosa’ de ser presidida especialmente para quem tem pontos definidos dentre outros temas “união civil de pessoas do mesmo sexo”, “negritude”, etc...

Entre tantas falas e ‘desfalas’ do Marco Feliciano destaca-se a que ele se justifica afirmando que uma coisa é ele falando como (deputado) presidente da CDH e Minorias, e outra coisa é ele falando como pastor... se é possível separar o homem de suas falas de acordo o seu ofício do momento então não sei por que de tanta falação sobre quem depois do seu envolvimento com os percalços com tal Comissão, ostenta mais notoriedade que a presidente Dilma e outros pré-candidatos ao Planalto em 2014. Injustiças à parte, este artigo cita o nome do deputado nada menos que onze vezes, e assim ele ganha mais um ponto...

A CDH e Minorias é uma bucha de canhão, e os partidões ratearam as comissões ‘mais importantes’ entre si, restando justamente a de Direitos Humanos (importante para a MAIORIA das MINORIAS) para o PSC do Feliciano. Aí começou a ‘ladainha’ sem fim. Não defendo e nem acuso o pastor/deputado Marco Feliciano, até porque ele tem o direito de está presidente da Comissão, pois fora eleito ‘rateadamente’, digo, democraticamente pelos seus pares lá em Brasília. Admirei sua firmeza em dizer que renunciaria seu direito de dirigir a CDH e Minorias, se também os ‘mensaleiros condenados’ renunciassem seus postos na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). Ponto para o Feliciano!

Do lado de cá, por trás do teclado do meu PC, frente a esta tela fria do monitor, continuo me perguntando o quê faz um pastor metido com a política. Será que querem ‘religiosijar’ a política, ou ‘politicalizar’ a religião? Essa prática tem demonstrado ao longo do tempo que as duas versões são fatos. Porém, isto não seria tão escandaloso se não fosse a mistura, a mística que se cria em torno de nomes de ‘escolhidos’ como se fossem salvadores ungidos da pátria, ávidos ou bem pagos para defenderem a denominação ‘a’ ou ‘b’ através dos palanques, digo púlpitos, nestas igrejas que estão mais para votação que evangelização. O DEUS criador dos Céus e da Terra (Gênesis 1:1) carece de bancada evangélica para defender ou respaldar a sua Obra?

Contudo, pelo sim, pelo não, o até outro dia desconhecido Marco Feliciano que engrossava o número de deputados que compunha a ‘bancada evangélica’ virou manchete em todos os noticiários. O que de início parecia o fim da sua neo-carreira política, fritado pela pressão dos grupos representativos das minorias, isto se tornou a alavanca de sucesso para o marketing político do deputado que, igualmente o número de defensores do casamento entre sexos iguais, e ‘pedem a cabeça’ de Feliciano, também o número de religiosos que defendem a irreversível posição do presidente da CDH e Minorias em não renunciar ao cargo, e ainda avalizam suas declarações consideradas homofóbicas e racistas, talvez supere em número contrário à permanência de Feliciano na Comissão.

Enquanto a população se distrai com a digladiação entre ‘as minorias’ e os evangélicos, os atos duvidosos da maioria, a barganha política ascende por trás das cortinas no centro do poder em Brasília. Quanto aos projetos, as discussões na Comissão dos Direitos Humanos e Minorias, ficam em segundo, terceiro, ou quarto plano; o que importa é o PSC ou seja lá que ‘p’ fosse, continuar sentado no trono, possesso pelo poder em detrimento às causas públicas. O partido e o deputado visualizaram rapidamente que o lucro com o debate que ganhou proporções negativas e que logo fora convertida em fator positivo (marketing) sobrepõe os anseios e o direito de cada um(a) fazer o que bem entender da sua vida, bem como o próprio Feliciano e todos que pensam igual a ele, também de pensarem e acreditarem assim.

O que não pode é, as parcelas da sociedade envolvidas nesta ‘batalha’ entrarem no ringue enquanto Feliciano e mais 512 colegas (raríssima exceção) se locupletam na orgia política que o cargo lhes proporcionam e que todos sabem da mordomia em que esses representantes do povo (maioria pobre) vive na capital federal. Aliás, a orgia política contaminou geral, pois faltando praticamente dois anos para as eleições de 2014, a campanha política se não ganhou as ruas ainda, porém a mídia nacional já virou palanque dos tais; mas como disse a própria presidente Dilma, em campanha política ‘se faz o diabo’. Assim sendo, quem não tiver pecado, que atire a primeira pedra, tanto em Feliciano, quanto nas minorias que buscam apoio nos Direitos Humanos e nos que necessitam da tramitação de processos na CDH para terem seus problemas resolvidos.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

A quem pertence, e quanto custa a notícia?


RESPEITEM A PEQUENA IMPRENSA, POIS A “GRANDE” NEM SABE DA SUA EXISTÊNCIA

MARCOS DANTAS - Entre uma frase e outra eis que surge uma notícia. Estou falando da informação escrita publicada em papel (jornal tradicional) ou em páginas virtuais (internet), fabulosa, mas ainda inacessível à maioria. Temida por muitos, a internet é ferramenta indispensável e porta de liberdade para todos... Mas, e a notícia, o controle desta, a quem pertence? Resposta: pertence a quem se interessa por ela. Pertence aqueles que se sentem mais do que meras criaturas de engrossamento do índice populacional da comunidade em que mora. Sem dúvida que um bom número de pessoas amadureceu no decorrer dos anos e exige notícia de qualidade, no entanto, a maioria prefere continuar “novelado” pois se manter informado é exigir demais para quem é satisfeito com programas de auditórios e BBBs.

Quem é da área, sabe que ‘fazer’ imprensa no interior é difícil. Primeiro que, antes do veículo de comunicação servir de canal para levar a informação ao público, ele precisa se manter e sustentar economicamente quem o representa, ou seja, quem o faz existir. Daí, percebe-se que a notícia tem um custo como qualquer produto nas prateleiras seja em uma pequena mercearia ou em exposição em um grande shopping. Igualmente a quem produz os bens de consumo e recebe por esse trabalho de produção, quem também produz a comunicação tem o direito sagrado de ganhar pelo que gera. Cabe ao consumidor de informação regular o ‘mercado’ noticioso pelo que quer consumir, notícia de boa qualidade, pagando por isso, ou deixar que a ‘notícia de terceira’ lhe chegue com porte pago por “interessados”.

Para pagar a quem leva notícia, sobram as prefeituras, porém, a maior parte dos gestores não respeita o princípio de liberdade de expressão e, ao acordar com um veículo de comunicação para que veicule algum informativo da referida administração, fica subentendido que, a partir daquele instante o tal veículo torna-se impedido de explorar qualquer assunto que não seja “determinado” de forma oficial. Até alguns auxiliares da administração se acham no direito de “policiar” e interferir na linha editorial. A solução para que as comunidades possam ter em seu seio uma imprensa livre é pagar pela informação. Uma fonte importante para possibilitar a existência de um veículo alternativo de comunicação é o comércio ao respaldá-lo com as publicidades de acordo o projeto de marketing da empresa. Por outro lado, não permite que o meio de comunicação fique a mercê do faturamento oficial que o impossibilita de questionar mesmo construtivamente quem o está pagando.

Fora isso, os consumidores de mídia alternativa poderiam pagar um preço simbólico (R$ 1,00) pelo exemplar de jornal alternativo. Isto garantiria a sobrevivência do veículo e mostraria aos mandatários antidemocráticos que eles estão prefeitos e que não são perfeitos a ponto de administrarem impecavelmente sem a ajuda crítica de um jornal, por exemplo. E por falar nisso, o administrador precisa ter em mente que o dinheiro que paga a determinado veículo de comunicação, é público, portando, deve divulgar os atos da administração, mas também deve ser a voz do povo para reclamar aquilo que não vai bem. Em todos os lugares, prefeitos e auxiliares acreditam que ao terem contrato com o meio de comunicação, automaticamente, passa a ser “propriedade” destes e que podem determinar o que deve ou não ser publicado, sob pena de corte do pagamento. Fazem a chantagem pois sabem que o povo não pagará pela informação e que o veículo de comunicação precisa de referida verba para se manter; uma triste realidade.

Nestas circunstâncias só resta a pergunta: fazer o quê, se o direito democrático à informação continua intimamente ligado ao poder político/econômico? Manter uma imprensa livre sem algum grupo ou pessoa pagar, é quase impossível. Manter uma imprensa atrelada, viciada ao molde feudal chega ser repugnante. O que pode ser a luz no fim do túnel para a imprensa interiorana é o cultivo de uma pauta que explore as políticas públicas, despertando assim o interesse da comunidade que pode começar a valorizar a produção de informação, pagando por esta. Para os que detêm o cargo de mandatários maiores nos municípios seria bom que refletissem sobre o direito democrático de bem informar e de ser informado, e que, vossas senhorias querendo ou não, de “biquinho” ou não, mesmo com as dificuldades a mídia alternativa existirá e continuará formando opinião. Por isso, RESPEITEM a pequena imprensa nas suas cidades, pois a “grande” nem sabe das suas existências.